Dinamização mental

"Quando o teu conhecimento se libertar de qualquer ilusão, então compreenderás a verdade daquilo que ouviste e ainda ouvirás, e te possuirás a ti mesmo imperturbavelmente. Anuviu-se a tua mente e dúvidas se apoderaram de ti; quando deste ouvidos a opiniões contraditórias; quando ela se tornar pura, iluminada e firmemente estabalecida no EU, então atingirás a tua auto realização. Quando alguém permanece calmo e sereno no meio de sofrimentos, quando não espera receber do mundo objetivo permanete felicidade e quando é livre de apego, medo e ódio - então é ele um homem de perfeita sabedoria. Quando não é apegado a um e indiferente a outro; enquanto não se alegra em excesso com o que é agradável, nem se entristece excessivamente com o que é desagradável - então é ele um homem de perfeita sabedoria. Portanto o sábio não se entristece com nada, nem por causa dos mortos, nem por causa dos vivos. Quando os sentidos estão identificados com objetos sensórios, experimentam sensações de calor e de frio, de prazer e de sofrimento - estas coisas vêm e vão; são temporárias por sua própria natureza. Suporta-as com paciência! Mas quem permanece sereno e impertubável no meio de prazer e sofrimento, somente esse é que atinge imortalidade. O que é irreal (ex: amor) não existe, e o que é real nunca deixa de existir. Os videntes da Verdade compreendem a íntima natureza tanto disto como daquilo, q diferença entre o Ser e o parecer. A essencia não pode parecer, nem morre ainda que as formas pareçam. Quem pensa sempre em objetos sensórios apega-se a eles. Desse apego nasce o prazer e o prazer gera inquietação. A inquietação produz ilusão; a ilusão destrói a nitidez da discriminação, esquece-se o homem da sua natureza espiritual - e com isto vai rumo ao abismo. Mas o homem que possui domínio sobre o mundo dos sentidos e da mente, sem odiar nada nem se apegar a nada, orientado pelo Eu central, esse encontra a paz. Essa paz neutraliza todas as inquietações, e o homem que goza de paz, goza verdadeira beatitude - e acaba por superar também os males externos. Homem de perfeita sabedoria é aquele que possui perfeito domínio sobre seus sentidos com relação aos objetos sensórios. "

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O maior aterro de lixo do mundo está localizado no meio do oceano

By Capt. Charles Moore (traduzido por Luís Peazê)
Há uma grande parte no centro do Oceano Pacífico que ninguém nunca visita ou poucos já passaram. Os velejadores evitam esta parte como a uma praga porque ali falta vento. Pescadores deixam-na de lado porque a sua carência de nutrientes a transforma num oceano deserto. Ela faz parte da “latitude dos cavalos”, por onde os antigos navegantes ficavam à deriva, e, sem comida e água, tinham que jogar suas cargas de animais ao mar. Surpreendentemente, esta área é o maior domínio oceânico do nosso planeta, mais ou menos do tamanho da África, passa de dez milhões de milhas quadradas. Uma montanha de ar, que é aquecida no equador e começa a descer lentamente em espiral no sentido horário a medida que aproxima-se do pólo norte, cria este domínio oceânico. Os ventos circulares produzem correntes oceânicas espiraladas para o centro onde há uma ligeira força centrífuga. Os cientistas conhecem este fenômeno atmosférico como alta pressão sub tropical, e a corrente oceânica que ela cria é conhecida como corrente central do Norte Pacífico ou “giro” sub tropical.Por causa da estabilidade deste lento redemoinho, a maior expressão de uniformidade climática da Terra é, também, um acumulador de entulhos da civilização. Qualquer coisa que flutue, não importa de onde venha, dentro dos limites do círculo norte do Oceano Pacífico, acaba a sua viagem ali, às vezes após derivar pela periferia por doze anos ou mais. Historicamente, os entulhos não acumulavam porque eventualmente degradavam pela ação de microorganismos transformando-se em dióxido de carbono e água. Hoje em dia, entretanto, no afã de armazenar mercadorias contra a deterioração, nós criamos uma classe de produtos que desafia até a mais criativa e insidiosa bactéria. Esta classe de produtos são os “plásticos”. Os plásticos estão virtualmente por toda parte na sociedade moderna. Bebemos neles, comemos neles, sentamos nele e até nos locomovemos neles. Eles são duráveis, leves, baratos e podem ser transformados virtualmente em qualquer coisa. Mas são justamente estas propriedades úteis que fazem dos plásticos tão nocivos quando abandonados na natureza. Os plásticos são como os diamantes: para sempre!Os plásticos não são biodegradáveis, eles são “fotodegradáveis” – um processo no qual suas partículas quebram-se pela ação do sol em partículas cada vez menores, todas, porém, mantendo a característica original. Isto é, continuam sendo plásticos, polímeros, eventualmente na sua menor representação em moléculas individuais de plástico, indigestas para qualquer organismo. Há cinqüenta anos, todas as peças de plástico que chegaram ao Oceano Pacífico oriundas do continente, quebraram-se em partículas e acumularam-se no “giro” central do Pacífico. Oceanógrafos como Curtis Ebbesmeyer, conhecido mundialmente pela sua especialidade em despojos de naufrágios, se referem a essa área do oceano como o grande Remendo de Lixo do Pacífico. O problema é que não se trata de um remendo, tem o tamanho de um continente, e está sendo entulhado por lixo plástico flutuante. Minhas pesquisas tem documentado 6 libras de plástico para cada libra de plâncton nesta área. Em minha última viagem de pesquisa de três meses de ida e volta (2003) chegamos mais perto do Remendo de Lixo do que na anterior, e achamos níveis de fragmentos de plástico muito maiores por centenas de milhas. Consumimos semanas documentando os efeitos que provocam as areias que flutuam nesses plásticos nas criaturas que vivem nesta área. Nossos fotógrafos capturaram imagens de águas-vivas irreversivelmente enredadas em linhas, e organismos filtradores transparentes com fragmentos de plásticos coloridos em suas barrigas.
A medida que nós derivávamos para o centro deste sistema, fazendo fotografias debaixo d’água dia e noite, começamos a nos dar conta do que estava acontecendo. Um prato de papel jogado ao mar simplesmente permanecia conosco, não havia vento ou corrente para movê-lo para longe.É ali que acabam todas as coisas que são carregadas rio abaixo para o mar. Em outubro 10, durante o nosso retorno para Santa Bárbara, descobrimos uma coisa que jamais havíamos documentado – uma Corrente de Langmuir de entulhos de plástico. Correntes oceânicas com a rotação contrária criam longas linhas de material, visíveis de cima como listras no oceano. Normalmente elas são formadas por organismos plantônicos ou espuma, mas nós descobrimos uma feita de plástico.Tudo desde enormes mangueiras até minúsculos fragmentos formavam uma linha de uma milha de comprimento. Pegamos centenas de libras de redes de todos os tipos arroladas neste sistema, junto com todo o tipo de entulho imaginável. Algumas vezes correntes deste tipo derivam para cima das ilhas havaianas. É quando as praias de Waimanalo e Oahu ficam cobertas de areia de plástico azul e verde e com acumulação de grandes entulhos. Mais ao nordeste das ilhas havaianas, na Reserva do Ecossistema de Corais, focas, os mais ameaçados mamíferos dos Estados Unidos, ficam enredadas nos entulhos, especialmente em redes baratas de plástico abandonadas pelos pescadores industriais. Noventa por cento das tartarugas verdes do mar havaiano aninham-se ali e comem aqueles entulhos, confundindo com alimento natural, como também fazem os albatrozes. Na verdade o estômago dos albatrozes se parecem com uma prateleira de isqueiros em loja de conveniência, de tantos que contêm. Entretanto, os problemas causados por entulhos de plástico não são apenas o enredamento e a indigestão. Há uma face ainda mais perversa da onipresença da poluição marinha pelos plásticos. Como esses fragmentos flutuam por aí, eles acumulam os venenos que nós fabricamos para várias aplicações e que não são biodegradáveis. Acontece que os polímeros de plásticos são esponjas para o DDT, PCBs e nonofenóis – óleos tóxicos que não se dissolvem em água do mar. Chegou-se ao cálculo de que “pellets” de plástico (pequenas pelotas) acumulam até um milhão de vezes o nível desses venenos que flutuam abandonados na água. Isto não é como os metais pesados nocivos que afetam os animais que os ingerem diretamente. É mais do que isso, eles são o que chamamos “segunda geração” tóxica. Animais evoluem receptores para moléculas orgânicas chamados de hormônios, os quais regulam a atividade do cérebro e a reprodução. Hormônios receptores não podem distinguir aqueles tóxicos do hormônio estrogênico natural chamado de estradiol, e, quando os poluentes ancoram nestes receptores em vez de nos hormônios naturais, eles têm demonstrado inúmeros efeitos negativos em tudo, de pássaros, em peixes e em humanos. A questão das desordens hormonais tem se transformado num dos, se não o maior, problemas do século 21.Desordens hormonais tem implicações na baixa produção de esperma e aumento da taxa de nascimento de fêmeas tanto em animais quanto em humanos. Incontrolavelmente, esta é uma tendência à extinção de qualquer espécie.
Trilhões de vetores poluentes estão sendo ingeridos pelos mais eficientes aspiradores naturais que a natureza já inventou: as redes de mucos de águas vivas e salpas que vivem lá no meio dos oceanos. Estes organismos são, por sua vez, comidos por peixes e certamente, em muitos casos, por humanos. Podemos cultivar orgânicos sem agrotóxicos, mas pode a natureza produzir um peixe isento de pesticida? Depois do que eu vi no Pacífico, tenho minhas dúvidas. Muitas vezes eu me pergunto por que não podemos aspirar aquelas partículas de plástico. Na verdade isto seria mais difícil do que aspirar cada polegada quadrada de todo o território dos Estados Unidos. Além de ser um espaço maior, os fragmentos estão misturados e abaixo da superfície às vezes até trinta metros. Sem falar que inúmeros organismos seriam destruídos durante o processo. Por fim, não há um recurso econômico que seria beneficiado diretamente por este processo. E nós ainda não aprendemos a fatorar a qualidade do meio ambiente em relação ao nosso paradigma econômico.Mas devemos trabalhar nesta fórmula de cálculo rapidamente, pois uma quebra da bolsa de valores não será nada em comparação a um colapso ecológico em escala oceânica. Sei que quanto as pessoas pensam nas profundezas azuis dos oceanos, vêem imagens de águas puras, limpas e sem poluição. Depois de colhermos amostras da superfície das águas do Pacífico Central, não consigo mais ver imagens primitivas quando eu penso nas profundezas das águas salgadas. Tampouco consigo imaginar uma solução de limpeza das praias. Somente a eliminação das fontes do problema podem resultar num oceano longe do risco do plástico, e este resultado será visto apenas por cidadãos do terceiro milênio DC. A batalha para mudar o modo com que produzimos e consumimos plásticos apenas começou, mas eu acho que ela deve ser travada agora. O nível de partículas de plástico no Pacífico no mínimo triplicou nos últimos dez anos e multiplicar-se por dez na próxima década não é um raciocínio irreal. Deste modo, seis vezes mais plásticos do que plânctons estarão flutuando na sua superfície.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Há filosofia em filosofar

Por Mariana Lourenço

As pessoas possuem as respostas dentro de si. Na verdade podemos despertar o ato de falar, mas somente o coração dirá a verdade. O coração das pessoas é o seu verdadeiro-eu, ele transmite o amor, ou seja, o DEUS interior. Todos deveriam entender que como somos filhos de um Pai Celestial Uno de todas as energias, as respostas para todas as perguntas estão dentro de nós mesmo. O amor toca as pessoas, um simples sorriso nos faz sentir vivos. Somos presentes. Co-criadores de uma atmosfera geradora de um lugar melhor. Somos enraizados de energias cósmicas, passageiros das vidas em busca do entendimento. Perguntem ao seu coração o que lhes é verdade, e essa verdade será o Divino, o Sagrado, representado na mais bela forma em cada SER. Sintam a presença do bem em seus atos. O amor nos da uma sensação de plenitude e felicidade genuina.

Algumas centenas de anos antes de Jesus, o filósofo grego Sócrates leu gravado na entrada de um templo em Delfos o seguinte: "Conheça-te a ti mesmo", e desde então dedicou sua vida a conhecer a si, e com isso irônicamente conseguiu conhecer mais sobre a natureza do mundo todo, e de todos os seres, mais até que muitos nômades que passaram a vida viajando, mas sem nunca ter passado uma noite sequer em sua própria taverna. Hoje em dia, o conhecimento está a disposição de todos, seja pelos livros, cinema, televisão, ou algo tão maravilhoso quanto a internet. Mas afinal, tanto conhecimento não pode nos atordoar? Será que precisamos ler todos os manuscritos da era moderna para termos noção de alguma resposta plausível para as perguntas acima? Acredito que não, que o caminho mais fácil é seguir para dentro de si, olhar para dentro de si. Aprender a lidar consigo mesmo e com o mundo. É isso que tenho tentado fazer sem precisar isolar-me no cume de uma montanha distante.

Para quem me conhece, ou acha que me conhece, peço perdão por nem sempre ter lhes contado sobre o que ando pensando. O mundo atual não é feito para se filosofar, afinal o capitalismo é dinâmico, e a roda do dinheiro e do entretenimento tem de girar sempre. Mas o homem é realmente genial quando quer, e com suas diversas máscaras, consegue fingir tão perfeitamente que acredita mesmo ser apenas mais um na multidão, a seguir os padrões de comportamento, padrões de moda, padrões de religiosidade. Mas os padrões de pensamento, esses são íntimos de cada um, esses só mesmo o ser em si conhece, mesmo que ainda tenha tanto medo de olhar para dentro. E para aprimorar o pensar, nada melhor como refletir. Refletir como um espelho que manda de volta toda a luz que lhe é enviada, mas então essa luz já é uma outra luz, pois cada espelho a reflete de uma forma distinta. Textos que levam a reflexão, reflexões que podem modificar os textos, pois não existem dogmas e nem seres perfeitos a habitar essa terra.

O fascínio que encontro, e é onde está a minha verdadeira paixão, vive sob a profundidade do que há de mais vivo na ação, no corpo que a produz, no espaço-tempo que a acolhe, onde se inscreve o sonho e a poesia, o real e o metafísico, do corpo que me abriga, do tempo que vivo. Me coloco no centro de um imenso vazio de coisas sem sentido, em que o sentido abordado está no sentido de senti-las como um turbilhão de vivências, experiências asfixiantes, que esmagam meus pensamentos e idéias que eu tenho sobre essas coisas, sobre o que sou e o que pretendo ser diante do cruel, do implacável, de verdades estupradas por um sentimento de dor, dor por há muito não ter enxergado a vida que está por trás de tudo. E é essa vida, que atravessa a alma e esvazia o corpo, que vem para nos enfrentar, para desesperadamente nos fazer enxergá-la. É por ela que me exponho, que desnudo meu olhar e compartilho as idéias que hoje se instalam em minha alma como a peste nos órgãos essenciais do corpo.

Bem vindos ao meu jardim, venho aqui de vez em quando para meditar e conversar com amigos, sob as copas das árvores e um céu espelhado. Espero que gostem da estadia.

Ir além...

Além da nossa angustiante e estressante crise caótica,oportunidade transformadora na seguinte nova óptica.
Ir Além da perversa marginalização do essencial,apontando para todos o puro sentido existencial.
Ir Além da descrença e desalento generalizados,abrindo corações alegres, veros e destemidos.
Ir Além da razão que tudo fragmenta e analisa,a intuição, cuja harmonia sintetiza.
Ir Além da nossa constante agitação mental,dando à natureza do Espírito o nosso aval.
Ir Além da cegueira que nos limita,acendendo a luz da sabedoria infinita.
Ir Além do nosso ego diabólico,despertando o amor benéfico.
Ir Além da miragem de toda dualidade,meditando na essência da sua identidade.
Ir Além da escravidão oca do automato estúpido,soltando a criatividade do ser consciente e lúcido.
Ir Além de viver siderados no mundo exterior,descobrindo a realidade no universo interior.
Ir Além do apego as coisas,pessoas e idéias,usufruindo da liberdade das mãos abertas.
Ir Além de navegar entre a esperança e o medo,vivendo aqui e agora a alegria de cada enredo.
Ir Além da raiva que fere os outros e a si mesmo,mostrando empatia aos que nos frustam a esmo.
Ir Além do caráter fugaz daquele sexo sem nexo,transmutando-0 em amor eterno sem complexo.
Ir Além das nossas dores e doenças periódicas,vivendo a saúde das equilibrações harmônicas.
Ir Além da nossa cultura de violência,substituindo-a por paz e benevolência.
Ir Além das infindáveis e vãs disputas filosóficas,na Filosofia perene transcendendo a dialética.
Ir Além dos valores geradores de dor,cultivando Beleza, Verdade e Amor.
Ir Além das lutas competitivas estressantes,encorajando sinergia e cooperação constante.
Ir Além das fronteiras belígeras entre nações,entre estados do mundo, criando federações.
Ir Além das constantes lutas entre as religiões,descobrindo no sagrado e no divino as suas ligações.
Ir Além das discordâncias dos partidos políticos,lutando por ideais comuns, frutiferos e éticos.
Ir Além da educação meramente intelectual,para saber aprender,agir ,amar e ser real.
Ir Além do fosso entre pobres e ricos,visando o conforto essencial para todos.
Ir Além do produzir, consumir e perecer,parindo a nova civilização do oferecer.
Ir Além de poluir o espaço,o ar, a água e a terra,vivendo em harmonia com a matéria.
Ir Além do desmanchar a biodiversidade,da vida,respeitando toda a sua variedade.
Ir Além do profanar o cerne dos genes e do átomo,sintonizando mentes com o Espírito do Universo.
Ir Além do duelo entre unidade e diversidade,desvelando a diversidade unidade.
Ir Além dos preconceitos da morte e do morrer,desobstruindo a passagem para o perene viver.
Ir Além da dor do transitório de todos e de tudo,desvelando no seu espírito o Espírito eterno.
Ir Além das incertezas periódicas da fé e do crer,transformando-os na experiência do verdadeiro saber!

Ir além.....
( páginas 235,236 e237 do livro Lágrimas de Compaixão-PIERRE Weil )

PSDB: O Retorno da Era Vendida?

por Gilberto Felisberto Vasconcellos
O que significa, do ponto de vista político e psicológico, o personagem José Serra no cenário da direita no Brasil e na América Latina?

Foi líder estudantil da UNE, o que não quer dizer talento retórico nem capacidade intelectual; todavia, se no passado porventura possuía algum charme persuasivo, atualmente não lhe sobrou nada, e isso está relacionado com a sua progressiva direitização depois do Chile, ou talvez até antes. Serra em Santiago foi uma espécie de garçom ou mordomo de FHC, a quem deverá o futuro ingresso nas altas rodas banqueiras em São Paulo, tendo apoio da missa católica de Franco Montoro para fazer-se deputado. Do Chile, José Serra vem carimbado de “marxista”, fazendo marola que estava na trincheira do marxismo, quando na verdade sua quitanda era a Cepal burguesa e desenvolvimentista, sob a direção de Raul Prebish, economista ponta de lança do imperialismo inglês na Argentina, odiado por peronistas, nacionalistas e trotskistas.
Não há contribuição alguma de José Serra à teoria econômica na América Latina. Isso foi dito em 1978 por Ruy Mauro Marini, artigo publicado na Revista de Sociologia Mexicana. José Serra, sem o menor escrúpulo intelectual, censurou o artigo de Ruy Mauro Marini no Cebrap. Neste artigo, aparecia como ele é hoje: um homem que se ufana da burguesia industrial e financeira paulista, um tecnocrata operador do capital monopolista internacional. Ruy Mauro Marini antecipou o balé financeiro multinacional de José Serra, origem pobre, mas fascinado pelo Banco e pelo poder do dinheiro fazer dinheiro, que não tem nada a ver com o capital produtivo. O PSDB é a expressão de classe da universalização do capital monopolista, isto é, do imperialismo.
Funeral de Allende
A saga mal contada do Chile. Não se conhece nenhum protesto tucano contra a derrubada do presidente Salvador Allende. E esse silêncio, ou essa atitude impassível em relação ao socialismo chileno golpeado pela CIA, é revelador do tipo de “democracia” a que está afeiçoado o PSDB. José Serra no Chile esteve mais próximo do “catolicão” Eduardo Frei do que do comunista Salvador Allende, ao contrário do que sucedeu com Ruy Mauro Marini, Andre Gunder Frank e Darcy Ribeiro. Eduardo Frei não só conspirou no golpe de Estado de 1973, como celebrou o regime de Pinochet, o qual contou com o Banco Mundial assessorado por Milton Friedman e os economistas Chicago Boys, que foram admirados e aplaudidos por Roberto Campos, o economista que se esforçou para privatizar a Petrobras e a Vale do Rio Doce.

O modelo econômico de Pinochet foi inspirado na ditadura brasileira de 1964 com os planos de “austeridade” ditados pelo FMI e Banco Mundial, privatizadores com corte de gastos estatais. O que existe em comum entre Milton Friedman, FHC e José Serra? Estes no poder venderam as empresas estatais para o capital privado e, principalmente, para o capital estrangeiro. Essa política neoliberal de desnacionalização, que direcionou tanto o regime fascista de Pinochet quanto a social democracia de FHC e Serra, baseia-se em três pilares: exportação, austeridade e superexploração do trabalho. A Cepal de Raul Prebisch foi a antesala dos Chicago Boys de Milton Friedman, os quais ocuparam altos cargos executivos no regime fascista de Pinochet. A política econômica do general chileno foi de caráter neoliberal e privatizante tanto quanto a da “era vendida” de FHC e Serra. Isso significa que, para além da superficial análise políticóloga baseada na noção de “autoritarismo”, a repressão policial durante a “era vendida” não se fez necessária no Brasil para garantir o domínio neoliberal da burguesia financeiro-monopolista e sua acumulação de capital. O genocídio econômico neoliberal no Chile estava, segundo Pinochet, justificado por uma “democracia autoritária”.

Panteão caipira
Se a ditadura de 64 seguiu o receituário tecnocrático de Roberto Campos, o repercurtor colonizado de Milton Friedman, o guru gringo de Pinochet, então a política privatizante do general chileno foi, por sua vez, radicalizada pelo príncipe da sociologia no Brasil, que recebeu o justo epíteto de “o rei das privatizações”, disputando esse qualificativo na América Latina com Menem na Argentina e Fujimori no Peru. É por causa desse condicionante econômico do capital monopolista que FHC e Serra nunca derramaram lágrima alguma para Salvador Allende assassinado pelos Chicago Boys, os quais iriam inspirar mais tarde a decisão tucana de privatizar a Vale do Rio Doce e vender as ações da Petrobrás. FHC e Serra no poder iriam repetir e copiar Albert Hirschman, outro economista anti-marxista que não difere substancialmente de Walt Rostow bancado pela CIA, o assessor de Kennedy e Johnson que mandou jogar bomba nas cabeças dos vietnamitas. A fúria neoliberal privatizante dos tucanos não foi de inspiração autóctone, ou o resultado de seu convívio com Ulisses Guimarães e Franco Montoro, o panteão caipira do Largo São Francisco, incluindo o cowboy Orestes Quércia. Como tudo o que acontece com eles, a diretriz é traçada invariavelmente do exterior e dos centros imperialistas. A compreensão dessa política entreguista do PSDB está em Andre Gunder Frank, sociólogo nascido em Berlim (1929) que deu aula na Universidade de Brasília convidado por Darcy Ribeiro, e que continua até hoje sendo o demônio das ciências sociais.


Gunder Frank, o autor de “O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento”, morreu em 2005, deixou uma notável obra teórica e histórica, que é o desmascaramento do neoliberalismo com a ideologia da globalização do capital monopolista. O detalhe é que além de ter vivido no Chile na época de Salvador Allende, o marxista Gunder Frank, foi aluno de Milton Friedman na Universidade de Chicago na década de 50 e percebeu o caráter reacionário de seu mestre, rompeu com ele e com a Universidade de Chicago, e mais tarde no Chile, denunciou o crime contra o povo latino-americano perpetuado por aquele figurão que ganhou o prêmio Nobel de Economia, por ser o paradigma monetarista do vínculo entre a universidade e o banco, como é também o caso, repetido na periferia, do percurso de FHC e Serra, os quais concentraram o poder econômico e venderam o país, seguindo a terapia do “tratamento de choque”, a expressão de autoria de Milton Friedman, cuja política, como dizia Gunder Frank, aumentou o monopolismo capitalista no mundo, desde quando assessorou Barry Goldwater e orientou as medidas econômicas de Nixon. Para América Latina exportou a bula, repercutida décadas depois pelos tucanos, sobre a “estabilização da economia”, que não é diferente do modelo de Roberto Campos. Mercado livre e

Mercado pau-de-arara
É preciso desconfiar da auto-propagada vocação dos tucanos à democracia. Roberto Campos também se dizia fã da democracia quando serviu à ditadura. Milton Friedman escreveu o livro “Capitalismo e Liberdade” e contribuiu para o assassinato de 30 mil pessoas no Chile, apelando para os princípios do “mercado livre” e do neoliberalismo. Por isso é preciso perguntar o seguinte: até onde vai o amor de José Serra pela democracia? O fascismo político de Pinochet se valeu do neoliberalismo na economia, o qual será retomado por FHC com eleições, seguindo o que receitava o guru Milton Friedman: o lucro é a essência da democracia. FHC sempre disputou as eleições por cima e em situação favorável, a moeda “real” foi a cédula eleitoral no bolso, dizia Leonel Brizola. Depois se reelegeu na maré das reeleições, o que não acontecerá com José Serra, que é uma espécie de primo pobre da tucanalha, desprovido das fortunas maquiavélicas que foram oferecidas para FHC na Casa Grande. A dialética Casa Grande e Senzala funciona como um sintoma psicológico de um partido político repleto de egos vaidosos e sem carisma. FHC colocou a graça de seu carisma no dinheiro, na moeda, ficando conhecido como o “príncipe da moeda”.

Herança Vende-Pátria

Hoje, em situação mundial desfavorável provocada pela crise financeira do imperialismo (FHC esteve oito anos agenciando a globalização do capital estrangeiro), o PSDB com José Serra - representando os interesses da burguesia financeira e industrial de São Paulo - se prepara para voltar ao Palácio da Alvorada. Há porém um problema neste teatro subshakesperiano. É que depois do estrago entreguista de FHC, os tucanos não têm discurso a apresentar, digamos, nenhuma esperança em cima da telenovela, da moeda e da estabilização da economia. Ainda que não reconheça publicamente, José Serra gostaria de descartar-se da herança de seu progenitor, porque essa herança é um estorvo fatal para ele, impedido de falar que vai retomá-la e tirar-lhe a parte ruim. Afinal, que “Brasil venceu” com oito anos de FHC? José Serra vive essa contradição em sua trajetória política, pois não poderá negar a paternidade que o gerou, embora esse DNA seja um obstáculo para palmilhar o caminho da Presidência da República. É difícil para José Serra refutar que a era FHC, com a sua política de privatização internacional e agente da universalização do capital privado, foi um retrocesso nacional, que não fez senão prosperar os bancos e as corporações multinacionais. Durante a “era vendida” de FHC, o PSDB foi o instrumento político do capital globalizado, que levou adiante as medidas entreguistas de 64, valendo-se do argumento da eficácia, da racionalidade e da competência na administração da vassalagem entreguista.

Baile de Manhattan
Analisado de olho na América Latina, o governo neoliberal de FHC - que José Serra estará compelido a defender agora com todos os constrangimentos - tomou como paradigma e aprofundou o que foi feito na economia pelos Chicago Boys no Chile do general Pinochet.
O neoliberalismo econômico de FHC, Menem e Fujimori começou com as ditaduras da década de 60. A retirada de todas as restrições ao capital estrangeiro, a liberalização dos mercados, a desregulação das empresas privadas, as prescrições sobre os “ajustes estruturais” fizeram parte do pacote macroeconômico chamado “estabilização” aplicado em escala mundial a mando do FMI e do Banco Mundial. Essa foi, na era privatizadora de FHC, a economia portifólio e especulativa, de acordo com o processo de acumulação de capital sob a égide da financeirização. Quem fez a farra com o Plano Real foi, dentre outros bancos estrangeiros, o Chase Manhattan com os seus superlucros. São os bancos e as grandes instituições financeiras que irão conceder o prêmio Honoris Causa para FHC, o “gênio das ciências sociais”, enfiando (como dizia Leonel Brizola) os barretes em sua cabeça por várias universidades do Primeiro Mundo pelo serviço prestado, sobretudo na Inglaterra de Tony Blair, o afilhado de dona Tatcher e pupilo de Giddens, o comensal assíduo nos ágapes oferecidos por Rupert Murdoch, a patota Barclays Bank e British Airways. A política econômica neoliberal foi um desastre para a América Latina, empobreceu muita gente e marginalizou amplos setores da população. José Serra irá corrigir os defeitos dessa política imperialista de FHC? É difícil imaginar o discurso do PSDB agora para o que defendeu e executou no poder durante oito anos, tendo sido o principal agente político da universalização do capital monopolista.

Culpa e Insônia
O travesseiro de José Serra está esquentado com a questão: o que dizer na campanha de 2010 acerca da herança daquele que foi o seu progenitor político? Agora, com a crise da financeirização política do capital monopolista, nem a direita da metrópole defende mais a “flexibilização do capitalismo”. A insônia de José Serra tem razão de ser: Cadê o Giddens? Cadê o Blair? Cadê a Tatcher? Cadê o Clinton? O modelo terceira via-globalização-privatizante-neoliberal fracassou. A alternativa durante a campanha é retornar a Keynes e aos investimentos públicos? Será que isso surtirá algum efeito? O problema é o peso da herança: FHC foi a transferência do patrimônio público para os interesses privados. O PSDB não é social nem democrático. Quem faz o programa desse partido é a big finança, e esta não tem nada de democrática; ao contrário, o capitalismo monopolista é contra a democracia. O interesse imperialista da metrópole é o que determina a concepção do PSDB.

Os gerentes e estamentos anglo-saxônicos formularam as políticas da “terceira via” e da privatização, porém isso resultou num desastre completo. O que foi outrora tido como gênio, Tony Giddens, citado impreterivelmente na bibliografia dos cursos da pós-graduação em ciências sociais, virou um badameco da burguesia pirata de Londres. Segundo o sibarita Giddens, acabou a luta de classes entre burguesia e proletariado, o vínculo entre nação opressora e nação oprimida foi dissolvido, dissipou a contradição capitalismo versus socialismo, assim a filantropia das ONG’s é o que resolve a penúria; enfim, essa “terceira via” neoliberal privatizadora aumentou o abismo entre pobres e ricos. O PSDB é um partido político colonizado e mimético, sua formatação origina-se dos centros financeiros do capitalismo, seu internacionalismo, ou melhor, seu cosmopolitismo é burguês, portanto, não há abracadabra possível que faça José Serra posar de nacionalista e defensor das riquezas naturais do país; afinal, ele foi o autor e companheiro de viagem do funeral feagaceano da era Vargas.

Então, sem que se reduza a política à psicanálise, é preciso reconhecer que um espectro ronda o arraial tucano: o do parricídio. É a matança (simbólica, claro) do pai FHC pelo filho José Serra, se este quiser se despregar da “era vendida”, pelo menos durante a campanha eleitoral de 2010. Se não for seguido este caminho, não restará outra alternativa senão a afasia que o levará; à auto-imolação política.

Adiós, Serra.


{Correio Caros Amigos}

O que se divulga e o que se esconde pelos jornais

Por que não queremos entender os Nardoni?
Os fogos comemoravam o quê? Sorríamos a quê? À graça da justiça? O que mesmo tem isto tudo de alegre?
por Ruy Marques Sposati
[Folha da Baixada]
Há qualquer coisa de complexo no caso dos Nardoni. A começar pelo modo como todos nós o tratamos: “os Nardoni”. Ou “o caso dos Nardoni”. Falamos de uma família. Damos nome. É algo com alguma soberba, tem alcunha, tem história, tem pompa. E há qualquer coisa de bizarro nisso: é estiloso demais. É como “Família Soprano”. Ou “os Kennedy”. Ou Matarazzo. Corleone. Família tradicional, com pai de colarinho branco. Parece haver uma espécie de grandeza na pronúncia, na nomeação; algo de chique, algo de sofisticado.
Algo tão sofisticado, um frisson - como um novo sorvete ou peça de roupa que vira moda. Vira moda, e surge uma necessidade em discutir o caso, carregá-lo por aí, bradar aos ventos uma opinião sobre o assunto. Aqui reside parte da complexidade: sim, enchemos a boca para dizer “os Nardoni”, como se falássemos dum rei ou de antigos aristocratas. Ao mesmo tempo, temos ódio: queremos que mofem para sempre na prisão. Queremos que “os Nardoni” fiquem na prisão para o resto da vida. Não, não seremos clementes. Nada importa. São monstros, monstruosos, esses Nardoni.
Quem escolheu os Nardoni
Quem alçou o caso - que é pura barbárie, sem dúvida - à condição de comoção nacional foi a imprensa. Lucrou milhões com os Nardoni, especulando detalhes sórdidos, transmitindo a reconstituição do crime, passo-a-passo, tal como uma novela, diariamente, recheada de sentimento, romance, personagens exóticos - como o “perito baiano”, que não era apenas um perito criminal, suspense, dúvidas… Constituiu o enredo, e nós assistimos. Como quando fomos até o cinema ver a novidade em 3D de Avatar (e ambos ganharam o Oscar que mereceram).
Para que serve o jornalismo? Serve para transmitir conteúdo às pessoas - conteúdo este que contribua para elevar o nível de informação, de consciência e de compreensão da realidade. Todos os dias, milhares de crimes ocorrem no país. Os jornais ficam sabendo deles e selecionam uns ou outros como assuntos do dia, através de critérios de relevância social. E no exato dia em que escolheram os Nardoni como o grande acontecimento dramático do país, aconteceu uma outra coisa muito, muito cruel no território brasileiro. A pouca relevância dada a este caso prova o tratamento desproporcional dado aos Nardoni, em detrimento de outros. Para não incidir em repetições, citamos o jornalista Hamilton Octávio de Souza:
“No mesmo dia da morte da menina, 150 soldados da tropa de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiram uma favela e assassinaram 10 pessoas. Não foi a primeira vez, nos últimos meses, que a PM do Rio cometeu tamanha barbárie contra uma comunidade pobre. No entanto, a grande imprensa nacional deu apenas um pequeno registro desse crime violento praticado pelos agentes do Estado.
Do ponto de vista da relevância social, o crime do Rio atenta contra toda a sociedade, pois representa uma violação bárbara de direitos. No entanto, o tratamento dado para esse genocídio carioca é o da banalização total do crime, é o do rebaixamento do valor das vidas humanas porque os mortos estão localizados na escala mais baixa das condições de vida no país”.
Filé Mignon
O caso dos Nardoni era um tipo de filé. Através dele, ainda podia-se explorar muita emoção, muita passionalidade, muita raiva. Era muito mais chocante. Como a nova montanha-russa instalada em um parque de diversões. O espetáculo final do julgamento foi transmitido nacionalmente em canal aberto, em tempo real e integral por todas as emissoras brasileiras. Foi o apogeu da nossa militância pela culpabilização dos pais: estávamos todos lá, em corpo ou espírito. Com faixas. Bandeiras. Camisetas customizadas. Sorrisos, fogos preparados (como em dias de final de campeonato), gritos de guerra, coros, rostos vociferantes. Os fogos comemoravam o quê? Sorríamos a quê? À graça da justiça? O que mesmo tem isto tudo de alegre? Que motivo de alegria é este que, ao mesmo tempo, não parece ser profundamente sombrio, na medida em que neste crime residem problemas de classe social, de castração psicológica, de autoritarismo, de crise de geração, família, patriarcalismo modernizado, problemas financeiros, violência infantil, violência doméstica, anti-pedagogia, incomunicabilidade e, em larga escala, de uma espécie de sintoma da era moderna da nossa crise de civilização?
Perguntas e Respostas
Com efeito, este assassinato levanta questionamentos importantes - e sem dúvida, graças à insistência midiática, virou assunto de todo mundo. Na prática, perguntamos uns aos outros: que amor de família é este? Afeto, humanidade, responsabilidade com o outro, cadê?
Mas a resposta que nos empurraram - e nós também vínhamos atrás, paradoxalmente, empurrando-na - era a da “sede por justiça”. Alguns apenas sorriam, choravam de emoção, gritavam ou soltavam fogos ao som dos alto-falantes postos na porta do julgamento. Contudo, certamente, do fundo dos nossos corações, esperávamos que os juízes assumissem secretamente um último desejo nosso, uma vontade cruel, e conduzissem nossos Nardonis ao caminho público do Fórum de Santana, onde todos poderíamos linchá-los, dar nossas contribuições no espancamento e aniquilação da existência do casal. A monstruosidade Nardônica despertaria em nós, e emplacaríamos a mesma crueldade numa escala infinitamente superior. Na cerveja, na oração ou na labuta do dia seguinte, nos entreolharíamos, em silêncio, como se disséssemos: “sim, o homem é mau”.
Sambando?
O triste caso trouxe centenas de perguntas que, de maneira geral, fomos inábeis em conseguir respostas interessantes. Agora, com a sentença, surge uma nova pergunta, e esta talvez possamos explorar com mais calma: O que entendemos deste assassinato? O que foi que ficou, depois de tantas horas pensando, assistindo televisão, apostando em quem era culpado, quem ia ser preso, quantos anos pegariam? O que assimilamos disso tudo? Será preciso muitas outras ocorrências deste tipo até que estejamos amaciados, não nos emocionemos e possamos avaliá-lo friamente? Para que possamos tratá-los como o fazemos com as mortes nas favelas? Ou para entendermos seus porquês, e entendamos o que é que precisamos, realmente, combater ou defender? Será que é na porta de um Fórum que reside nosso espaço de atuação democrática, sambando a uma câmera?
Sem dúvida, a mídia corporativa não consegue explorar “bobagens filosóficas”, ou melhor dizendo, reflexões. Isso precisamos fazer coletivamente, mas fora da imprensa. É um esforço nosso. Não recorramos sempre à televisão. Do contrário, estaremos investindo esforços, inteligência e dinheiro em um sistema que não se negaria a convidar a mãe de Isabella a posar nua em revista impressa, coroando o bolo da estupidez com a última das cerejas silvestres.

O que você precisa REALMENTE saber...

O petróleo e as eleições nos debates

por Mário Augusto Jacobskind

O mês de abril bate às portas trazendo o início da campanha eleitoral para a escolha de quem ficará no lugar de Lula, dos novos governadores, da renovação da Câmara dos Deputados e parte do Senado. Dilma Roussef e José Serra se desencompatibilizam nos próximos dias, enquanto os demais candidatos, Ciro Gomes, Marina da Silva e outros menos votados, inclusive representantes de partidos de aluguel e mesmo de grupos de esquerda minúsculos estão entrando no páreo como azarões.

A Copa do Mundo interrompe por algum tempo a corrida atrás do voto. Pelo andar da carruagem, a disputa principal se dará entre Dilma e Serra, a primeira como candidata de Lula e o outro, apesar de envergonhado, de Fernando Henrique Cardoso, o príncipe sociólogo que governou o país por dois mandatos e só não entregou todas as riquezas do país porque não teve força política para tanto.

Por mais que não queira, o governador de S. Paulo, que trata os professores e os funcionários públicos na base da repressão e ameaças, é vinculado ao governo Cardoso, do qual foi Ministro. Ele agora, com a ajuda da mídia conservadora, tenta demonstrar que não tem nada a ver com aquela fase. Mas se alguém perguntar-lhe, por exemplo, sobre o pré-sal e o restante das riquezas do petróleo, defenderá o regime de concessão e a manutenção dos leilões das bacias petrolíferas. Ou seja, justificará toda a entrega vergonhosa iniciada no governo FHC e usará de sofismas para afirmar que o que foi feito fortaleceu a Petrobras, o que não é verdade.

Cardoso começou uma privatização branca da Petrobras, ou seja, entregando pelas beiradas e hoje mais de 50% das ações da empresa de petróleo pertencem a acionistas estrangeiros e outra parte está nas mãos de testas de ferro. Aliás, a questão do petróleo deverá ganhar dimensão nesta campanha. Possivelmente a mídia conservadora e seus colunistas de sempre vão tergiversar e tentar convencer leitores e telespectadores sobre a necessidade de se manter as facilitações ao capital estrangeiro petrolífero.

O esquema já começou inclusive em toda a celeuma relacionada com os royalties do petróleo para o Estado do Rio e Espírito Santo. Ibsen Pinheiro, o irresponsável, entrou na história só como o culpado de todos os horrores. Ele sem dúvida é culpado por apresentar um projeto inconstitucional e que não tem condições de se sustentar mesmo sendo aprovado agora pelo Senado.

Mas não é só Ibsen o vilão. Há outros parlamentares, entre os quais o Deputado Henrique Alves e o senador Francisco Dornelles, que defendem com unhas e dentes a manutenção da quebra do monopólio estatal de petróleo determinada pelo ex-presidente Cardoso, coringa de Serra. E tem mais: os dois são colocados nas alturas pela mídia conservadora ao se apresentarem como defensores incondicionais do regime de concessão às multinacionais.(Lei 9478/97), que permitiu que empresas estrangeiras, através de leilões, se apropriassem do petróleo extraído no solo. Querem manter o mesmo para a extração no mar.

Alves e Dornelles são também verdadeiros traidores da pátria. Enquanto os Estados Unidos para abocanhar petróleo do Iraque precisa invadir e ocupar o país árabe, fazer ameaças em outras partes do mundo, haja vista a Venezuela e o Irã, as riquezas brasileiras do setor são entregues com justificativas mentirosas. O atual governo apresentou a proposta de partilha das riquezas do pré-sal, avaliadas em cerca de 10 trilhões de dólares, ou seja, uma proposta intermediária entre o regime de concessão e a reestatização da Petrobras, defendida pelos movimentos sociais. Dornelles e Alves combatem até o meio termo, da mesma forma que O Globo. Defendem a entrega total, da mesma forma que o outro traidor de nome Fernando e sobrenome Cardoso.

E para dourar a pílula da doação, todos os candidatos que adotam a tese da concessão terão espaço garantido nos telejornais em horário nobre. Não é à toa que os jornalões e os telejornalões estão se portando cada vez mais como linhas auxiliares de projetos políticos lesivos aos interesses nacionais. E quem questiona isso ainda leva a pecha de defender restrições à liberdade de imprensa.

A campanha vai pegar fogo depois da Copa do Mundo. Resta saber de que forma o(a)s candidato(a)s vão se posicionar na questão do petróleo e outras. E se as editorias da mídia conservadora vão orientar os repórteres no sentido de abordar o tema nas perguntas ou então evitar o aprofundamento da matéria, deixando apenas aparecer a superfície dando espaço de mão beijada a governadores que contemplam com polpudas verbas os seus departamentos comerciais.

Em tempo: George W. Bush reapareceu em Porto Príncipe limpando a mão nas costas de Bill Clinton depois de apertar a mão de um haitiano. Precisa dizer mais alguma coisa?

{Direto da Redação}

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Tem japones no Cerrado

Por Mariana Lourenço
Uma agência do governo do Japão vai ajudar na implantação de mais um corredor ecológico no Brasil. A iniciativa ajudará na preservação de áreas importantes como, por exemplo, a Chapada dos Veadeiros.
Localizado na região Central do Brasil, o cerrado é um tipo de Savana que cobre 22% do país. As cabeceiras de alguns dos maiores rios Sul-Americanos como: São Francisco, Tocantins, Araguaia, Xingu e Tapajós estão localizadas sob o topo dos Planaltos desse Bioma. Apesar de não ser reconhecido pela Constituição como Patrimônio Nacional o Cerrado tem cerca de 200 milhões de hectares, é a savana mais rica em quantidade de espécies do mundo e — por conta do descaso com que vem sendo tratada — está entre as 25 áreas do planeta com seus ecossistemas ameaçados de ser destruído. Porém o cerrado pouco a pouco começa a conquistar a atenção. Três técnicos da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica), do governo japonês, participaram em Brasília de um encontro com pesquisadores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para definir a implantação do quinto corredor ecológico do cerrado no Brasil, uma importante iniciativa para a sua preservação. Em todo país, existem 14 corredores para proteção dos principais ecossistemas nacionais. O corredor ecológico é uma espécie de linha imaginária, criada em torno de regiões ameaçadas pelo homem, com regras específicas de gestão. Nesses locais, há critérios para a ocupação, que proíbem desmatamentos e a destruição de mananciais. Onde existem cidades, a população participa da preservação, através de programas de educação ambiental. Este é o primeiro projeto de cooperação técnica da Jica voltado exclusivamente para a preservação do cerrado. A agência japonesa entrará com US$ 250 mil dólares e o Governo brasileiro com R$ 250 mil necessários ao custeio do projeto. O trabalho dos japoneses no Brasil terá dois anos de duração. A escolha da localização do novo corredor, que ainda depende de estudos mais detalhados, será feita entre duas "hot spots" (ou seja, áreas críticas de risco): o Vale do Paranã, que inclui o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, num total de 2 milhões de hectares em Goiás, e o Jalapão, que abrange 3 milhões de hectares entre os estados de Tocantins, Piauí e Bahia. Ambos estão igualmente conservados, mas muito ameaçados pela agricultura e desertificação. Em 2009 uma área de 2,9 milhões de hectares em Goiás, onde fica o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, foi reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) como Reserva da Biosfera do Cerrado. Até então esse título era exclusividade de 300 mil hectares no Distrito Federal. Além desses, existem outros corredores no cerrado: Araguaia/Bananal (10 milhões de hectares), Cerrado/Pantanal (1 milhão de hectares) e Itenez/Guaporé (20 milhões de hectares entre Brasil e Bolívia, sendo que apenas a parte sul é cerrado. O resto é floresta amazônica). O Itenez/Guaporé foi o primeiro corredor a ser criado em 1997. Só o corredor Cerrado/Pantanal tem a participação estrangeira da Conservation International (CI), entidade dedicada à conservação da biodiversidade. Existe ainda um minicorredor chamado Ecomuseu do Cerrado, perto de Brasília, com 400 mil hectares. Para o coordenador de Conservação de Ecossistemas do Ibama, biólogo Moacir Arruda, a participação da Jica no projeto será muito importante. ‘‘De todo o Brasil, foram apresentadas cerca de 200 propostas, mas a escolhida por eles foi a do cerrado’’ ressalta. A agência japonesa hoje mantém parcerias em mais de 50 países. ‘‘O governo japonês está muito preocupado com a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida’’, explica o engenheiro florestal Mitsuru Watanabe, 34 anos, um dos peritos da Jica que vai acompanhar a implantação do corredor do cerrado, nos próximos dois anos.

Você sabe o que é e para que serve um Corredor ecológico?

Por Mariana Lourenço
Quando se fala em corredor, uma das ideias que vêm à cabeça de qualquer pessoa é um local de passagem, de circulação. No caso dos corredores ecológicos, a proposta é exatamente essa: permitir que espécies de aves e animais circulem livremente e sem riscos. ‘‘Uma onça precisa de pelo menos 100 mil hectares para transitar’’, explica o biólogo Moacir Arruda. Para o pesquisador social e coordenador da ONG Pequi — Pesquisas e Conservação do Cerrado, Marcelo Lima, a definição de um corredor ecológico requer muito estudo. Doutorando em Ecologia na Universidade de Brasília, ele participa da implantação do corredor Cerrado/Pantanal há um ano. ‘‘Não adianta interligar regiões. Existe um lado sócio-econômico muito importante’’, comenta. Na sua opinião, os técnicos da Jica devem se aprofundar sobre o cerrado, antes de decidir. Sobre o corredor na região do Jalapão, o secretário de Meio Ambiente do Município de Mateiros (TO), Paulo Garcia, também é cauteloso. ‘‘Houve um desmatamento muito grande na área para implantação de monoculturas. Foi um projeto que destruiu muito’’, diz. Mas, na opinião no biólogo Moacir Arruda, os corredores são a melhor forma de preservação, porque protegem ecossistemas inteiros, além das características comunitárias. No corredor Bananal/Araguaia, estão envolvidas populações de 39 municípios (cerca de 250 mil habitantes). Ou seja, além do ambiente ecológico que precisa ser readaptado na implantAÇÃO dos corredores ecológicos é preciso também a participAÇÃO e a conciência da sociedade.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ser e escreVer, eis a questão

Por Mariana Lourenço
Em fim dos anos 60, a imprensa descobriu o jornalismo econômico. No início dos anos 70, o jornalismo de negócios. No fim dos anos 70, o jornalismo crítico. Nos anos 80, o jornalismo de serviços. Nos anos 90, o jornalismo se caracterizou por atacar topicamente problemas isolados. Fazia-se escândalos em cima do episódio que no dia seguinte era substituído por um novo escândalo. No ano 2000, falta à imprensa se descobrir. Os anos 80 se constituíram em um período perigoso para o jornalismo. Abusou-se do chamado "esquentamento" da notícia, método que levou o jornalismo aos limites da ficção. Em nome do espetáculo atropelaram-se princípios básicos de direitos individuais, "deixou-se de lado a objetividade e a isenção" (se é que isso já existiu), abriu-se espaço para chantagistas, dossiês falsos e releases que mais promoviam um politico ou uma empresa do que noticiava algo que acrescentasse à população. Penso que o jornalista sabe a dor e a delícia de escrever. Casos como Escola Base, Clínica Santé, Chico Lopes, em todos havia o mesmo estilo de jornalismo: ansioso, impaciente, omisso, definindo linhas erradas de apuração, não se preocupou com a verdade, atropelou a "objetividade" jornalística e os direitos individuais. Tudo em nome do show, da manchete de impacto que vende o jornal. Dos anos 50 a meados dos anos 60 o jornalismo foi refém dos partidos políticos. De meados dos anos 60 ao final dos anos 70 refém da ditadura. Nos anos 80, refém dos movimentos organizados. Em final dos anos 80 descobriu sua verdadeira vocação em uma sociedade de mercado moderna: a imprensa cumpri o papel de combater a ditadura e se coloca na defesa dos direitos civis. Para tanto, apelou a um maniqueísmo extremado, que poupava todos os componentes do chamado arco democrático e desqualificava todas as ações do período militar. No plano do marketing, o modelo foi eficiente enquanto durou o combate à ditadura. Superado o período histórico, o modelo se esgotou. Da redemocratização aos anos 90, o papel do jornalismo foi o de submeter o Estado ao controle da opinião publica, defendê-lo contra toda sorte de demandas corporativistas. Com todos os exageros, já relatados, com os linchamentos e manipulações os jornalistas tentaram cumprir seu papel. Durante certo período adquiriu prestígio e influência, mas depois de certo tempo se esgotou, levando no ano 2000 à queda generalizada da circulação das publicações dedicadas ao jornalismo de opinião. Os abusos contra direitos individuais, a superficialidade, as falsas promessas contidas nas manchetes provocaram reações em diversos círculos, dos leitores mais críticos ao poder judiciário - que passou a tratar severamente, até com exagero, as ações contra a imprensa. O desafio ainda continua, é buscar outro novo modelo, que permita o fortalecimento do jornalismo de opinião através de sua legitimAÇÃO. E esse modelo precisa necessariamente estar sintonizado com os novos tempos, com as cabeças que saem da Universidade pensando e com a responsabilidade de cada jornalista com a informação. Portanto, à imprensa cabe o papel central na definição do novo pais que se quer. E essa responsabilidade social para com a nação ainda não foi percebida por muitos setores. Penso que nos últimos anos, muito por influência da televisão, houve o predomínio arrasador do chamado "jornalismo de marketing". A ambição profissional máxima do jovem repórter era exercitar o senso comum nas matérias, fuzilar reputações para se sentir poderoso ou exprimir indignação contra tudo e contra nada. Este tipo de jornalismo, sem sustentação e vaidoso ainda existe, porém o que me consola é que há outros jornalistas que honram sua disposição para Ser e escreVer jornalismo. Pois podemos perceber que a notícia, pura e simples, virou "commodity". A esse produto (notícia) precisa ser agregado valor, análise, contextualização e acompanhamento metódico. Há que se ter o show, a notícia atraente. Mas há que se ter o trabalho legitimador da imprensa, de passar a acompanhar o desenvolvimento do país de maneira consistente e continuada e se empenhar em despertar a consciência de maneira geral. E o primeiro passo é exorcizar de vez o sebastianismo. De certo modo, a frustração com o modelo econômico real, com a mistificação de economistas que fendiam o câmbio valorizado ajudaram nesse processo de libertinação das fórmulas mágicas. O segundo passo é ter noção correta sobre s temas relevantes para o desenvolvimento nacional. Tem que se fugir dessa discussão bifásica sobre reforma da Previdência e reforma Fiscal. A remontagem institucional do pais passa por um amplo conjunto de medidas e reformas, quase nenhuma no campo constitucional.

CBN - A rádio que toca notícia - André Trigueiro

CBN - A rádio que toca notícia - André Trigueiro

quarta-feira, 31 de março de 2010

"Tempo, tempo, tempo, mano velho"

Por Mariana Lourenço
Como jornalista, que enfim sou, esperei ansiosa para criar um blog. Pois pretendo escrever aqui o que realmente é visto e sentido pela maioria e não só por mim. Tudo bem que é uma página pessoal, porém publica. Não posso fazer como alguns dos meus colegas de profissão que copiam e colam ou descrevem algo sem sustentação. Subestimar a inteligência do leitor já é papel do sistema, e o sistema pode ser assunto para outras postagens. Pois bem, já que ultimamente estou como no filme "A espera de um milagre", faço algumas reflexões do nosso tempo e das observações deste mundo moderno. Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro, uma banana pelo potássio, e uma laranja pela vitamina C. Dizem também que uma xícara de chá verde sem açúcar é bom para prevenir a diabetes e acelerar o metabolismo. Os médicos falam que todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água e uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Deve-se também tomar um Yakult pelos lacto bacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Minha mãe tem problema cardíaco e o médico receitou à ela tomar todos os dias uma Aspirina, porque previne o enfarto. O médico disse também que uma taça de vinho tinto e uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. E em uma reportagem na TV Record ouvi dizer que tomar dois copos de cerveja todos os dias faz bem para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Os nutricionistas sempre repetem que todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. Dizem também que devemos fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente, até para quem deseja eliminar peso. E os chineses sugerem: nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, então serão cerca de cinco horas do dia. E não esqueça de escovar os dentes depois de comer, ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições. E enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma). Além de tudo isso, você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações. Ah! E o sexo. Todos os dias, tomando o cuidado de não cair na rotina. Há de ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico. Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!! Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos e cirva o chá verde para seus pais, beba o vinho e a cerveja, coma a maça, a banana e a laranja. Bom, depois da cerveja, do vinho, da maçã, da banana e principalmente do Yakult e da laranja tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal...
Tchau....