Dinamização mental
quinta-feira, 8 de abril de 2010
O maior aterro de lixo do mundo está localizado no meio do oceano
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Há filosofia em filosofar
As pessoas possuem as respostas dentro de si. Na verdade podemos despertar o ato de falar, mas somente o coração dirá a verdade. O coração das pessoas é o seu verdadeiro-eu, ele transmite o amor, ou seja, o DEUS interior. Todos deveriam entender que como somos filhos de um Pai Celestial Uno de todas as energias, as respostas para todas as perguntas estão dentro de nós mesmo. O amor toca as pessoas, um simples sorriso nos faz sentir vivos. Somos presentes. Co-criadores de uma atmosfera geradora de um lugar melhor. Somos enraizados de energias cósmicas, passageiros das vidas em busca do entendimento. Perguntem ao seu coração o que lhes é verdade, e essa verdade será o Divino, o Sagrado, representado na mais bela forma em cada SER. Sintam a presença do bem em seus atos. O amor nos da uma sensação de plenitude e felicidade genuina.
Algumas centenas de anos antes de Jesus, o filósofo grego Sócrates leu gravado na entrada de um templo em Delfos o seguinte: "Conheça-te a ti mesmo", e desde então dedicou sua vida a conhecer a si, e com isso irônicamente conseguiu conhecer mais sobre a natureza do mundo todo, e de todos os seres, mais até que muitos nômades que passaram a vida viajando, mas sem nunca ter passado uma noite sequer em sua própria taverna. Hoje em dia, o conhecimento está a disposição de todos, seja pelos livros, cinema, televisão, ou algo tão maravilhoso quanto a internet. Mas afinal, tanto conhecimento não pode nos atordoar? Será que precisamos ler todos os manuscritos da era moderna para termos noção de alguma resposta plausível para as perguntas acima? Acredito que não, que o caminho mais fácil é seguir para dentro de si, olhar para dentro de si. Aprender a lidar consigo mesmo e com o mundo. É isso que tenho tentado fazer sem precisar isolar-me no cume de uma montanha distante.
Para quem me conhece, ou acha que me conhece, peço perdão por nem sempre ter lhes contado sobre o que ando pensando. O mundo atual não é feito para se filosofar, afinal o capitalismo é dinâmico, e a roda do dinheiro e do entretenimento tem de girar sempre. Mas o homem é realmente genial quando quer, e com suas diversas máscaras, consegue fingir tão perfeitamente que acredita mesmo ser apenas mais um na multidão, a seguir os padrões de comportamento, padrões de moda, padrões de religiosidade. Mas os padrões de pensamento, esses são íntimos de cada um, esses só mesmo o ser em si conhece, mesmo que ainda tenha tanto medo de olhar para dentro. E para aprimorar o pensar, nada melhor como refletir. Refletir como um espelho que manda de volta toda a luz que lhe é enviada, mas então essa luz já é uma outra luz, pois cada espelho a reflete de uma forma distinta. Textos que levam a reflexão, reflexões que podem modificar os textos, pois não existem dogmas e nem seres perfeitos a habitar essa terra.
O fascínio que encontro, e é onde está a minha verdadeira paixão, vive sob a profundidade do que há de mais vivo na ação, no corpo que a produz, no espaço-tempo que a acolhe, onde se inscreve o sonho e a poesia, o real e o metafísico, do corpo que me abriga, do tempo que vivo. Me coloco no centro de um imenso vazio de coisas sem sentido, em que o sentido abordado está no sentido de senti-las como um turbilhão de vivências, experiências asfixiantes, que esmagam meus pensamentos e idéias que eu tenho sobre essas coisas, sobre o que sou e o que pretendo ser diante do cruel, do implacável, de verdades estupradas por um sentimento de dor, dor por há muito não ter enxergado a vida que está por trás de tudo. E é essa vida, que atravessa a alma e esvazia o corpo, que vem para nos enfrentar, para desesperadamente nos fazer enxergá-la. É por ela que me exponho, que desnudo meu olhar e compartilho as idéias que hoje se instalam em minha alma como a peste nos órgãos essenciais do corpo.
Bem vindos ao meu jardim, venho aqui de vez em quando para meditar e conversar com amigos, sob as copas das árvores e um céu espelhado. Espero que gostem da estadia.
Ir além...
Ir Além da perversa marginalização do essencial,apontando para todos o puro sentido existencial.
Ir Além da descrença e desalento generalizados,abrindo corações alegres, veros e destemidos.
Ir Além da razão que tudo fragmenta e analisa,a intuição, cuja harmonia sintetiza.
Ir Além da nossa constante agitação mental,dando à natureza do Espírito o nosso aval.
Ir Além da cegueira que nos limita,acendendo a luz da sabedoria infinita.
Ir Além do nosso ego diabólico,despertando o amor benéfico.
Ir Além da miragem de toda dualidade,meditando na essência da sua identidade.
Ir Além da escravidão oca do automato estúpido,soltando a criatividade do ser consciente e lúcido.
Ir Além de viver siderados no mundo exterior,descobrindo a realidade no universo interior.
Ir Além do apego as coisas,pessoas e idéias,usufruindo da liberdade das mãos abertas.
Ir Além de navegar entre a esperança e o medo,vivendo aqui e agora a alegria de cada enredo.
Ir Além da raiva que fere os outros e a si mesmo,mostrando empatia aos que nos frustam a esmo.
Ir Além do caráter fugaz daquele sexo sem nexo,transmutando-0 em amor eterno sem complexo.
Ir Além das nossas dores e doenças periódicas,vivendo a saúde das equilibrações harmônicas.
Ir Além da nossa cultura de violência,substituindo-a por paz e benevolência.
Ir Além das infindáveis e vãs disputas filosóficas,na Filosofia perene transcendendo a dialética.
Ir Além dos valores geradores de dor,cultivando Beleza, Verdade e Amor.
Ir Além das lutas competitivas estressantes,encorajando sinergia e cooperação constante.
Ir Além das fronteiras belígeras entre nações,entre estados do mundo, criando federações.
Ir Além das constantes lutas entre as religiões,descobrindo no sagrado e no divino as suas ligações.
Ir Além das discordâncias dos partidos políticos,lutando por ideais comuns, frutiferos e éticos.
Ir Além da educação meramente intelectual,para saber aprender,agir ,amar e ser real.
Ir Além do fosso entre pobres e ricos,visando o conforto essencial para todos.
Ir Além do produzir, consumir e perecer,parindo a nova civilização do oferecer.
Ir Além de poluir o espaço,o ar, a água e a terra,vivendo em harmonia com a matéria.
Ir Além do desmanchar a biodiversidade,da vida,respeitando toda a sua variedade.
Ir Além do profanar o cerne dos genes e do átomo,sintonizando mentes com o Espírito do Universo.
Ir Além do duelo entre unidade e diversidade,desvelando a diversidade unidade.
Ir Além dos preconceitos da morte e do morrer,desobstruindo a passagem para o perene viver.
Ir Além da dor do transitório de todos e de tudo,desvelando no seu espírito o Espírito eterno.
Ir Além das incertezas periódicas da fé e do crer,transformando-os na experiência do verdadeiro saber!
Ir além.....
( páginas 235,236 e237 do livro Lágrimas de Compaixão-PIERRE Weil )
PSDB: O Retorno da Era Vendida?
Foi líder estudantil da UNE, o que não quer dizer talento retórico nem capacidade intelectual; todavia, se no passado porventura possuía algum charme persuasivo, atualmente não lhe sobrou nada, e isso está relacionado com a sua progressiva direitização depois do Chile, ou talvez até antes. Serra em Santiago foi uma espécie de garçom ou mordomo de FHC, a quem deverá o futuro ingresso nas altas rodas banqueiras em São Paulo, tendo apoio da missa católica de Franco Montoro para fazer-se deputado. Do Chile, José Serra vem carimbado de “marxista”, fazendo marola que estava na trincheira do marxismo, quando na verdade sua quitanda era a Cepal burguesa e desenvolvimentista, sob a direção de Raul Prebish, economista ponta de lança do imperialismo inglês na Argentina, odiado por peronistas, nacionalistas e trotskistas.
A saga mal contada do Chile. Não se conhece nenhum protesto tucano contra a derrubada do presidente Salvador Allende. E esse silêncio, ou essa atitude impassível em relação ao socialismo chileno golpeado pela CIA, é revelador do tipo de “democracia” a que está afeiçoado o PSDB. José Serra no Chile esteve mais próximo do “catolicão” Eduardo Frei do que do comunista Salvador Allende, ao contrário do que sucedeu com Ruy Mauro Marini, Andre Gunder Frank e Darcy Ribeiro. Eduardo Frei não só conspirou no golpe de Estado de 1973, como celebrou o regime de Pinochet, o qual contou com o Banco Mundial assessorado por Milton Friedman e os economistas Chicago Boys, que foram admirados e aplaudidos por Roberto Campos, o economista que se esforçou para privatizar a Petrobras e a Vale do Rio Doce.
O modelo econômico de Pinochet foi inspirado na ditadura brasileira de 1964 com os planos de “austeridade” ditados pelo FMI e Banco Mundial, privatizadores com corte de gastos estatais. O que existe em comum entre Milton Friedman, FHC e José Serra? Estes no poder venderam as empresas estatais para o capital privado e, principalmente, para o capital estrangeiro. Essa política neoliberal de desnacionalização, que direcionou tanto o regime fascista de Pinochet quanto a social democracia de FHC e Serra, baseia-se em três pilares: exportação, austeridade e superexploração do trabalho. A Cepal de Raul Prebisch foi a antesala dos Chicago Boys de Milton Friedman, os quais ocuparam altos cargos executivos no regime fascista de Pinochet. A política econômica do general chileno foi de caráter neoliberal e privatizante tanto quanto a da “era vendida” de FHC e Serra. Isso significa que, para além da superficial análise políticóloga baseada na noção de “autoritarismo”, a repressão policial durante a “era vendida” não se fez necessária no Brasil para garantir o domínio neoliberal da burguesia financeiro-monopolista e sua acumulação de capital. O genocídio econômico neoliberal no Chile estava, segundo Pinochet, justificado por uma “democracia autoritária”.
Panteão caipira
Se a ditadura de 64 seguiu o receituário tecnocrático de Roberto Campos, o repercurtor colonizado de Milton Friedman, o guru gringo de Pinochet, então a política privatizante do general chileno foi, por sua vez, radicalizada pelo príncipe da sociologia no Brasil, que recebeu o justo epíteto de “o rei das privatizações”, disputando esse qualificativo na América Latina com Menem na Argentina e Fujimori no Peru. É por causa desse condicionante econômico do capital monopolista que FHC e Serra nunca derramaram lágrima alguma para Salvador Allende assassinado pelos Chicago Boys, os quais iriam inspirar mais tarde a decisão tucana de privatizar a Vale do Rio Doce e vender as ações da Petrobrás. FHC e Serra no poder iriam repetir e copiar Albert Hirschman, outro economista anti-marxista que não difere substancialmente de Walt Rostow bancado pela CIA, o assessor de Kennedy e Johnson que mandou jogar bomba nas cabeças dos vietnamitas. A fúria neoliberal privatizante dos tucanos não foi de inspiração autóctone, ou o resultado de seu convívio com Ulisses Guimarães e Franco Montoro, o panteão caipira do Largo São Francisco, incluindo o cowboy Orestes Quércia. Como tudo o que acontece com eles, a diretriz é traçada invariavelmente do exterior e dos centros imperialistas. A compreensão dessa política entreguista do PSDB está em Andre Gunder Frank, sociólogo nascido em Berlim (1929) que deu aula na Universidade de Brasília convidado por Darcy Ribeiro, e que continua até hoje sendo o demônio das ciências sociais.
Gunder Frank, o autor de “O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento”, morreu em 2005, deixou uma notável obra teórica e histórica, que é o desmascaramento do neoliberalismo com a ideologia da globalização do capital monopolista. O detalhe é que além de ter vivido no Chile na época de Salvador Allende, o marxista Gunder Frank, foi aluno de Milton Friedman na Universidade de Chicago na década de 50 e percebeu o caráter reacionário de seu mestre, rompeu com ele e com a Universidade de Chicago, e mais tarde no Chile, denunciou o crime contra o povo latino-americano perpetuado por aquele figurão que ganhou o prêmio Nobel de Economia, por ser o paradigma monetarista do vínculo entre a universidade e o banco, como é também o caso, repetido na periferia, do percurso de FHC e Serra, os quais concentraram o poder econômico e venderam o país, seguindo a terapia do “tratamento de choque”, a expressão de autoria de Milton Friedman, cuja política, como dizia Gunder Frank, aumentou o monopolismo capitalista no mundo, desde quando assessorou Barry Goldwater e orientou as medidas econômicas de Nixon. Para América Latina exportou a bula, repercutida décadas depois pelos tucanos, sobre a “estabilização da economia”, que não é diferente do modelo de Roberto Campos. Mercado livre e
Mercado pau-de-arara
É preciso desconfiar da auto-propagada vocação dos tucanos à democracia. Roberto Campos também se dizia fã da democracia quando serviu à ditadura. Milton Friedman escreveu o livro “Capitalismo e Liberdade” e contribuiu para o assassinato de 30 mil pessoas no Chile, apelando para os princípios do “mercado livre” e do neoliberalismo. Por isso é preciso perguntar o seguinte: até onde vai o amor de José Serra pela democracia? O fascismo político de Pinochet se valeu do neoliberalismo na economia, o qual será retomado por FHC com eleições, seguindo o que receitava o guru Milton Friedman: o lucro é a essência da democracia. FHC sempre disputou as eleições por cima e em situação favorável, a moeda “real” foi a cédula eleitoral no bolso, dizia Leonel Brizola. Depois se reelegeu na maré das reeleições, o que não acontecerá com José Serra, que é uma espécie de primo pobre da tucanalha, desprovido das fortunas maquiavélicas que foram oferecidas para FHC na Casa Grande. A dialética Casa Grande e Senzala funciona como um sintoma psicológico de um partido político repleto de egos vaidosos e sem carisma. FHC colocou a graça de seu carisma no dinheiro, na moeda, ficando conhecido como o “príncipe da moeda”.
Herança Vende-Pátria
Hoje, em situação mundial desfavorável provocada pela crise financeira do imperialismo (FHC esteve oito anos agenciando a globalização do capital estrangeiro), o PSDB com José Serra - representando os interesses da burguesia financeira e industrial de São Paulo - se prepara para voltar ao Palácio da Alvorada. Há porém um problema neste teatro subshakesperiano. É que depois do estrago entreguista de FHC, os tucanos não têm discurso a apresentar, digamos, nenhuma esperança em cima da telenovela, da moeda e da estabilização da economia. Ainda que não reconheça publicamente, José Serra gostaria de descartar-se da herança de seu progenitor, porque essa herança é um estorvo fatal para ele, impedido de falar que vai retomá-la e tirar-lhe a parte ruim. Afinal, que “Brasil venceu” com oito anos de FHC? José Serra vive essa contradição em sua trajetória política, pois não poderá negar a paternidade que o gerou, embora esse DNA seja um obstáculo para palmilhar o caminho da Presidência da República. É difícil para José Serra refutar que a era FHC, com a sua política de privatização internacional e agente da universalização do capital privado, foi um retrocesso nacional, que não fez senão prosperar os bancos e as corporações multinacionais. Durante a “era vendida” de FHC, o PSDB foi o instrumento político do capital globalizado, que levou adiante as medidas entreguistas de 64, valendo-se do argumento da eficácia, da racionalidade e da competência na administração da vassalagem entreguista.
Baile de Manhattan
Analisado de olho na América Latina, o governo neoliberal de FHC - que José Serra estará compelido a defender agora com todos os constrangimentos - tomou como paradigma e aprofundou o que foi feito na economia pelos Chicago Boys no Chile do general Pinochet.
O neoliberalismo econômico de FHC, Menem e Fujimori começou com as ditaduras da década de 60. A retirada de todas as restrições ao capital estrangeiro, a liberalização dos mercados, a desregulação das empresas privadas, as prescrições sobre os “ajustes estruturais” fizeram parte do pacote macroeconômico chamado “estabilização” aplicado em escala mundial a mando do FMI e do Banco Mundial. Essa foi, na era privatizadora de FHC, a economia portifólio e especulativa, de acordo com o processo de acumulação de capital sob a égide da financeirização. Quem fez a farra com o Plano Real foi, dentre outros bancos estrangeiros, o Chase Manhattan com os seus superlucros. São os bancos e as grandes instituições financeiras que irão conceder o prêmio Honoris Causa para FHC, o “gênio das ciências sociais”, enfiando (como dizia Leonel Brizola) os barretes em sua cabeça por várias universidades do Primeiro Mundo pelo serviço prestado, sobretudo na Inglaterra de Tony Blair, o afilhado de dona Tatcher e pupilo de Giddens, o comensal assíduo nos ágapes oferecidos por Rupert Murdoch, a patota Barclays Bank e British Airways. A política econômica neoliberal foi um desastre para a América Latina, empobreceu muita gente e marginalizou amplos setores da população. José Serra irá corrigir os defeitos dessa política imperialista de FHC? É difícil imaginar o discurso do PSDB agora para o que defendeu e executou no poder durante oito anos, tendo sido o principal agente político da universalização do capital monopolista.
Culpa e Insônia
O travesseiro de José Serra está esquentado com a questão: o que dizer na campanha de 2010 acerca da herança daquele que foi o seu progenitor político? Agora, com a crise da financeirização política do capital monopolista, nem a direita da metrópole defende mais a “flexibilização do capitalismo”. A insônia de José Serra tem razão de ser: Cadê o Giddens? Cadê o Blair? Cadê a Tatcher? Cadê o Clinton? O modelo terceira via-globalização-privatizante-neoliberal fracassou. A alternativa durante a campanha é retornar a Keynes e aos investimentos públicos? Será que isso surtirá algum efeito? O problema é o peso da herança: FHC foi a transferência do patrimônio público para os interesses privados. O PSDB não é social nem democrático. Quem faz o programa desse partido é a big finança, e esta não tem nada de democrática; ao contrário, o capitalismo monopolista é contra a democracia. O interesse imperialista da metrópole é o que determina a concepção do PSDB.
Os gerentes e estamentos anglo-saxônicos formularam as políticas da “terceira via” e da privatização, porém isso resultou num desastre completo. O que foi outrora tido como gênio, Tony Giddens, citado impreterivelmente na bibliografia dos cursos da pós-graduação em ciências sociais, virou um badameco da burguesia pirata de Londres. Segundo o sibarita Giddens, acabou a luta de classes entre burguesia e proletariado, o vínculo entre nação opressora e nação oprimida foi dissolvido, dissipou a contradição capitalismo versus socialismo, assim a filantropia das ONG’s é o que resolve a penúria; enfim, essa “terceira via” neoliberal privatizadora aumentou o abismo entre pobres e ricos. O PSDB é um partido político colonizado e mimético, sua formatação origina-se dos centros financeiros do capitalismo, seu internacionalismo, ou melhor, seu cosmopolitismo é burguês, portanto, não há abracadabra possível que faça José Serra posar de nacionalista e defensor das riquezas naturais do país; afinal, ele foi o autor e companheiro de viagem do funeral feagaceano da era Vargas.
Então, sem que se reduza a política à psicanálise, é preciso reconhecer que um espectro ronda o arraial tucano: o do parricídio. É a matança (simbólica, claro) do pai FHC pelo filho José Serra, se este quiser se despregar da “era vendida”, pelo menos durante a campanha eleitoral de 2010. Se não for seguido este caminho, não restará outra alternativa senão a afasia que o levará; à auto-imolação política.
Adiós, Serra.
{Correio Caros Amigos}
O que se divulga e o que se esconde pelos jornais
Os fogos comemoravam o quê? Sorríamos a quê? À graça da justiça? O que mesmo tem isto tudo de alegre?
Algo tão sofisticado, um frisson - como um novo sorvete ou peça de roupa que vira moda. Vira moda, e surge uma necessidade em discutir o caso, carregá-lo por aí, bradar aos ventos uma opinião sobre o assunto. Aqui reside parte da complexidade: sim, enchemos a boca para dizer “os Nardoni”, como se falássemos dum rei ou de antigos aristocratas. Ao mesmo tempo, temos ódio: queremos que mofem para sempre na prisão. Queremos que “os Nardoni” fiquem na prisão para o resto da vida. Não, não seremos clementes. Nada importa. São monstros, monstruosos, esses Nardoni.
Quem alçou o caso - que é pura barbárie, sem dúvida - à condição de comoção nacional foi a imprensa. Lucrou milhões com os Nardoni, especulando detalhes sórdidos, transmitindo a reconstituição do crime, passo-a-passo, tal como uma novela, diariamente, recheada de sentimento, romance, personagens exóticos - como o “perito baiano”, que não era apenas um perito criminal, suspense, dúvidas… Constituiu o enredo, e nós assistimos. Como quando fomos até o cinema ver a novidade em 3D de Avatar (e ambos ganharam o Oscar que mereceram).
Para que serve o jornalismo? Serve para transmitir conteúdo às pessoas - conteúdo este que contribua para elevar o nível de informação, de consciência e de compreensão da realidade. Todos os dias, milhares de crimes ocorrem no país. Os jornais ficam sabendo deles e selecionam uns ou outros como assuntos do dia, através de critérios de relevância social. E no exato dia em que escolheram os Nardoni como o grande acontecimento dramático do país, aconteceu uma outra coisa muito, muito cruel no território brasileiro. A pouca relevância dada a este caso prova o tratamento desproporcional dado aos Nardoni, em detrimento de outros. Para não incidir em repetições, citamos o jornalista Hamilton Octávio de Souza:
“No mesmo dia da morte da menina, 150 soldados da tropa de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiram uma favela e assassinaram 10 pessoas. Não foi a primeira vez, nos últimos meses, que a PM do Rio cometeu tamanha barbárie contra uma comunidade pobre. No entanto, a grande imprensa nacional deu apenas um pequeno registro desse crime violento praticado pelos agentes do Estado.
Do ponto de vista da relevância social, o crime do Rio atenta contra toda a sociedade, pois representa uma violação bárbara de direitos. No entanto, o tratamento dado para esse genocídio carioca é o da banalização total do crime, é o do rebaixamento do valor das vidas humanas porque os mortos estão localizados na escala mais baixa das condições de vida no país”.
O caso dos Nardoni era um tipo de filé. Através dele, ainda podia-se explorar muita emoção, muita passionalidade, muita raiva. Era muito mais chocante. Como a nova montanha-russa instalada em um parque de diversões. O espetáculo final do julgamento foi transmitido nacionalmente em canal aberto, em tempo real e integral por todas as emissoras brasileiras. Foi o apogeu da nossa militância pela culpabilização dos pais: estávamos todos lá, em corpo ou espírito. Com faixas. Bandeiras. Camisetas customizadas. Sorrisos, fogos preparados (como em dias de final de campeonato), gritos de guerra, coros, rostos vociferantes. Os fogos comemoravam o quê? Sorríamos a quê? À graça da justiça? O que mesmo tem isto tudo de alegre? Que motivo de alegria é este que, ao mesmo tempo, não parece ser profundamente sombrio, na medida em que neste crime residem problemas de classe social, de castração psicológica, de autoritarismo, de crise de geração, família, patriarcalismo modernizado, problemas financeiros, violência infantil, violência doméstica, anti-pedagogia, incomunicabilidade e, em larga escala, de uma espécie de sintoma da era moderna da nossa crise de civilização?
Com efeito, este assassinato levanta questionamentos importantes - e sem dúvida, graças à insistência midiática, virou assunto de todo mundo. Na prática, perguntamos uns aos outros: que amor de família é este? Afeto, humanidade, responsabilidade com o outro, cadê?
Mas a resposta que nos empurraram - e nós também vínhamos atrás, paradoxalmente, empurrando-na - era a da “sede por justiça”. Alguns apenas sorriam, choravam de emoção, gritavam ou soltavam fogos ao som dos alto-falantes postos na porta do julgamento. Contudo, certamente, do fundo dos nossos corações, esperávamos que os juízes assumissem secretamente um último desejo nosso, uma vontade cruel, e conduzissem nossos Nardonis ao caminho público do Fórum de Santana, onde todos poderíamos linchá-los, dar nossas contribuições no espancamento e aniquilação da existência do casal. A monstruosidade Nardônica despertaria em nós, e emplacaríamos a mesma crueldade numa escala infinitamente superior. Na cerveja, na oração ou na labuta do dia seguinte, nos entreolharíamos, em silêncio, como se disséssemos: “sim, o homem é mau”.
O triste caso trouxe centenas de perguntas que, de maneira geral, fomos inábeis em conseguir respostas interessantes. Agora, com a sentença, surge uma nova pergunta, e esta talvez possamos explorar com mais calma: O que entendemos deste assassinato? O que foi que ficou, depois de tantas horas pensando, assistindo televisão, apostando em quem era culpado, quem ia ser preso, quantos anos pegariam? O que assimilamos disso tudo? Será preciso muitas outras ocorrências deste tipo até que estejamos amaciados, não nos emocionemos e possamos avaliá-lo friamente? Para que possamos tratá-los como o fazemos com as mortes nas favelas? Ou para entendermos seus porquês, e entendamos o que é que precisamos, realmente, combater ou defender? Será que é na porta de um Fórum que reside nosso espaço de atuação democrática, sambando a uma câmera?
Sem dúvida, a mídia corporativa não consegue explorar “bobagens filosóficas”, ou melhor dizendo, reflexões. Isso precisamos fazer coletivamente, mas fora da imprensa. É um esforço nosso. Não recorramos sempre à televisão. Do contrário, estaremos investindo esforços, inteligência e dinheiro em um sistema que não se negaria a convidar a mãe de Isabella a posar nua em revista impressa, coroando o bolo da estupidez com a última das cerejas silvestres.
O que você precisa REALMENTE saber...
por Mário Augusto Jacobskind
O mês de abril bate às portas trazendo o início da campanha eleitoral para a escolha de quem ficará no lugar de Lula, dos novos governadores, da renovação da Câmara dos Deputados e parte do Senado. Dilma Roussef e José Serra se desencompatibilizam nos próximos dias, enquanto os demais candidatos, Ciro Gomes, Marina da Silva e outros menos votados, inclusive representantes de partidos de aluguel e mesmo de grupos de esquerda minúsculos estão entrando no páreo como azarões.
A Copa do Mundo interrompe por algum tempo a corrida atrás do voto. Pelo andar da carruagem, a disputa principal se dará entre Dilma e Serra, a primeira como candidata de Lula e o outro, apesar de envergonhado, de Fernando Henrique Cardoso, o príncipe sociólogo que governou o país por dois mandatos e só não entregou todas as riquezas do país porque não teve força política para tanto.
Por mais que não queira, o governador de S. Paulo, que trata os professores e os funcionários públicos na base da repressão e ameaças, é vinculado ao governo Cardoso, do qual foi Ministro. Ele agora, com a ajuda da mídia conservadora, tenta demonstrar que não tem nada a ver com aquela fase. Mas se alguém perguntar-lhe, por exemplo, sobre o pré-sal e o restante das riquezas do petróleo, defenderá o regime de concessão e a manutenção dos leilões das bacias petrolíferas. Ou seja, justificará toda a entrega vergonhosa iniciada no governo FHC e usará de sofismas para afirmar que o que foi feito fortaleceu a Petrobras, o que não é verdade.
Cardoso começou uma privatização branca da Petrobras, ou seja, entregando pelas beiradas e hoje mais de 50% das ações da empresa de petróleo pertencem a acionistas estrangeiros e outra parte está nas mãos de testas de ferro. Aliás, a questão do petróleo deverá ganhar dimensão nesta campanha. Possivelmente a mídia conservadora e seus colunistas de sempre vão tergiversar e tentar convencer leitores e telespectadores sobre a necessidade de se manter as facilitações ao capital estrangeiro petrolífero.
O esquema já começou inclusive em toda a celeuma relacionada com os royalties do petróleo para o Estado do Rio e Espírito Santo. Ibsen Pinheiro, o irresponsável, entrou na história só como o culpado de todos os horrores. Ele sem dúvida é culpado por apresentar um projeto inconstitucional e que não tem condições de se sustentar mesmo sendo aprovado agora pelo Senado.
Mas não é só Ibsen o vilão. Há outros parlamentares, entre os quais o Deputado Henrique Alves e o senador Francisco Dornelles, que defendem com unhas e dentes a manutenção da quebra do monopólio estatal de petróleo determinada pelo ex-presidente Cardoso, coringa de Serra. E tem mais: os dois são colocados nas alturas pela mídia conservadora ao se apresentarem como defensores incondicionais do regime de concessão às multinacionais.(Lei 9478/97), que permitiu que empresas estrangeiras, através de leilões, se apropriassem do petróleo extraído no solo. Querem manter o mesmo para a extração no mar.
Alves e Dornelles são também verdadeiros traidores da pátria. Enquanto os Estados Unidos para abocanhar petróleo do Iraque precisa invadir e ocupar o país árabe, fazer ameaças em outras partes do mundo, haja vista a Venezuela e o Irã, as riquezas brasileiras do setor são entregues com justificativas mentirosas. O atual governo apresentou a proposta de partilha das riquezas do pré-sal, avaliadas em cerca de 10 trilhões de dólares, ou seja, uma proposta intermediária entre o regime de concessão e a reestatização da Petrobras, defendida pelos movimentos sociais. Dornelles e Alves combatem até o meio termo, da mesma forma que O Globo. Defendem a entrega total, da mesma forma que o outro traidor de nome Fernando e sobrenome Cardoso.
E para dourar a pílula da doação, todos os candidatos que adotam a tese da concessão terão espaço garantido nos telejornais em horário nobre. Não é à toa que os jornalões e os telejornalões estão se portando cada vez mais como linhas auxiliares de projetos políticos lesivos aos interesses nacionais. E quem questiona isso ainda leva a pecha de defender restrições à liberdade de imprensa.
A campanha vai pegar fogo depois da Copa do Mundo. Resta saber de que forma o(a)s candidato(a)s vão se posicionar na questão do petróleo e outras. E se as editorias da mídia conservadora vão orientar os repórteres no sentido de abordar o tema nas perguntas ou então evitar o aprofundamento da matéria, deixando apenas aparecer a superfície dando espaço de mão beijada a governadores que contemplam com polpudas verbas os seus departamentos comerciais.
Em tempo: George W. Bush reapareceu em Porto Príncipe limpando a mão nas costas de Bill Clinton depois de apertar a mão de um haitiano. Precisa dizer mais alguma coisa?
{Direto da Redação}
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Tem japones no Cerrado
Você sabe o que é e para que serve um Corredor ecológico?
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Ser e escreVer, eis a questão
quarta-feira, 31 de março de 2010
"Tempo, tempo, tempo, mano velho"
E já que vou, levo um jornal...